As ações possessórias são fundamentais no direito civil brasileiro, especialmente para proteger a posse de bens móveis e imóveis. Quando uma pessoa perde a posse ou sofre turbação ou esbulho, pode buscar o Judiciário para proteger seu direito de posse. A proteção possessória é uma das formas mais eficientes de garantir que o proprietário ou possuidor legítimo não seja prejudicado por ações ilegais de terceiros.
Neste artigo, abordaremos os diversos tipos de ações possessórias, os procedimentos legais envolvidos, as soluções jurídicas e exemplos concretos de casos, além de como um advogado especializado pode auxiliar na resolução desses conflitos.
1. O Que São Ações Possessórias?
A ação possessória é a medida judicial adotada por quem detém a posse de um bem, seja ele imóvel ou móvel, mas que, por algum motivo, tem sua posse invadida, perturbada ou esbulhada. Esses processos têm por objetivo proteger o possuidor contra terceiros que tentam retirar ou prejudicar sua posse, sem que haja discussão sobre a titularidade do bem.
As ações possessórias, portanto, visam garantir o status quo da posse, ou seja, assegurar que o possuidor legítimo continue a ter o controle e a utilização do bem, ainda que o proprietário do bem não seja o possuidor.
Essas ações são previstas no Código Civil Brasileiro, especialmente no artigo 1.210, que estabelece a função protetiva das ações possessórias. Elas podem ser ajuizadas tanto por possuidores de boa-fé quanto de má-fé.
2. Tipos de Ações Possessórias
Existem diferentes tipos de ações possessórias, e cada uma delas tem uma finalidade específica, dependendo da situação que a pessoa está enfrentando. Os principais tipos são:
2.1. Ação de Reintegração de Posse
A ação de reintegração de posse é utilizada quando a pessoa que está na posse do bem é despojada de forma injusta ou violenta, ou seja, sofre um esbulho possessório. Nessa situação, o possuidor legítimo busca a devolução do bem, por meio da reintegração de sua posse.
Exemplo:
Um proprietário de imóvel descobre que um terceiro entrou no seu terreno e construiu uma edificação sem o seu consentimento. Nesse caso, ele pode ajuizar uma ação de reintegração de posse para reaver o imóvel.
2.2. Ação de Manutenção de Posse
A ação de manutenção de posse é utilizada quando a posse de um bem é perturbada por terceiros, ou seja, quando há turbação possessória, mas o possuidor ainda não perdeu totalmente o bem. O objetivo é evitar que o possuidor seja privado da posse por meios ilícitos.
Exemplo:
O inquilino de um imóvel, por exemplo, que sofre a tentativa de retirada por um agente de segurança do proprietário pode entrar com uma ação de manutenção de posse, já que ainda mantém a posse, mas está sendo perturbado por ameaças de remoção.
2.3. Ação de Interdito Proibitório
A ação de interdito proibitório é usada para evitar que o possuidor seja agredido ou ameaçado de perder a posse de um bem. A ação visa proteger o possuidor de esbulho ou turbação, sendo, portanto, uma medida preventiva.
Exemplo:
Se um morador de um imóvel tem notícias de que um vizinho pretende invadir sua casa, ele pode ingressar com essa ação para impedir qualquer tentativa de invasão.
2.4. Ação de Despejo
Embora não seja uma ação possessória clássica, a ação de despejo é uma das mais comuns no contexto das locações de imóveis urbanos. Essa ação ocorre quando o locatário descumpre as condições do contrato de locação, seja por inadimplemento ou por outra razão que justifique a saída do imóvel.
3. Procedimento das Ações Possessórias
O procedimento das ações possessórias está regulado pelo Código de Processo Civil (CPC) e deve ser seguido rigorosamente para garantir a eficácia da medida. O CPC prevê um processo mais célere para essas ações, uma vez que o bem tutelado (a posse) é considerado urgente.
As ações possessórias podem ser ajuizadas por meio de ação de rito sumário ou ordinário, dependendo da situação. No caso das ações de reintegração de posse, por exemplo, o possuidor pode pedir, de forma liminar, a reintegração imediata do bem, sem a necessidade de esperar a decisão final.
Exemplo do Procedimento:
- O possuidor ajuíza a ação de reintegração de posse e, na petição inicial, solicita a liminar de reintegração.
- O juiz decide se concede a liminar ou se o processo seguirá a tramitação regular.
- O réu é citado para se defender e pode contestar o pedido, mas, até a decisão final, a posse do bem permanece com o autor, se concedida a liminar.
4. Casos Concretos e Exemplos de Ações Possessórias
4.1. Caso de Desapropriação de Terreno
Em um caso de desapropriação, um proprietário pode sofrer uma perda da posse de seu imóvel. Em tais situações, o proprietário pode entrar com uma ação de reintegração de posse caso o terreno tenha sido invadido antes da decisão da desapropriação, ou se a desapropriação for realizada sem observância das garantias legais.
4.2. Caso de Posse de Terreno Urbano
Em um exemplo mais comum, um imóvel em área urbana pode ser invadido por terceiros, que constroem de forma ilegal, gerando o direito do possuidor legítimo de buscar sua reintegração por meio da ação possessória.

5. A Importância da Proteção à Posse no Ordenamento Jurídico
A proteção da posse no Brasil é uma garantia constitucional. O direito à posse é fundamental para a ordem pública e para a justiça social, especialmente no que se refere à moradia e à propriedade privada. O Código Civil Brasileiro, em seus artigos 1.210 e 1.228, reflete a importância da posse e estabelece os meios para sua proteção.
Por meio das ações possessórias, o ordenamento jurídico brasileiro assegura que ninguém possa ser privado de sua posse sem o devido processo legal, respeitando o princípio da função social da propriedade.
6. O Papel do Advogado Especializado em Direito Imobiliário
Quando se trata de disputas possessórias, o papel de um advogado especializado em direito imobiliário é fundamental. O advogado pode:
- Avaliar a situação e indicar qual ação possessória é mais adequada ao caso.
- Representar o cliente no ajuizamento da ação e acompanhamento do processo.
- Solicitar liminares de reintegração ou manutenção de posse, se necessário.
- Garantir que os direitos do cliente sejam protegidos de forma eficaz.
A atuação do advogado especializado é crucial para evitar danos e prejuízos durante o processo, além de garantir que os direitos do possuidor sejam respeitados pela parte contrária.
7. Conclusão: Garantia dos Direitos Possessórios no Brasil
As ações possessórias são ferramentas essenciais para proteger os direitos daqueles que detêm a posse de um bem, seja ele imóvel ou móvel. Quando a posse é invadida, perturbada ou esbulhada, as vítimas podem recorrer ao Judiciário para reaver seu bem ou evitar danos maiores. As ações de reintegração de posse, manutenção de posse, interdito proibitório e despejo são as principais medidas utilizadas, e cada uma delas tem sua aplicabilidade dependendo do tipo de violação que ocorreu.
É importante que os possuidores estejam cientes dos seus direitos e das ferramentas jurídicas à sua disposição para evitar que sua posse seja retirada de forma ilegal. O auxílio de um advogado especializado é fundamental para a resolução eficaz dos conflitos possessórios.
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